Associação abril e o 2º Fórum Liberdade e Pensamento Crítico

Associação abril

(…) É preciso criar nos homens e nas mulheres a convicção de que o único valor que realmente possuem em si próprios é a sua liberdade. (…) a liberdade de consciência como fundamento da democracia supõe, numa sociedade como a nossa, a educação para a liberdade.(…) a educação para a liberdade é fundamental para que a democracia assente não em palavras vagas mas em cidadãos capazes de serem os sujeitos morais da sua própria história.

Maria de Lourdes Pintasilgo

A abril – Associação regional para a democracia e o desenvolvimento – foi criada em Maio de 1986. Os seus Estatutos apontam como objeto de sua atividade a promoção do desenvolvimento social e da cidadania. É uma agremiação de cariz político-cultural e defende o exercício da democracia participativa a par da representativa, no caminho para a democratização plena da sociedade.

Entre as suas atividades contam-se predominantemente o debate esclarecedor e de intervenção em matérias relevantes no contexto de cada momento, tanto em áreas políticas e económicas, como sociais e culturais, tendo sempre como pano de fundo o exercício da liberdade. Persegue por isso, em todas as suas iniciativas, a promoção de um desenvolvimento social solidário, bem como a defesa do meio ambiente e dos valores culturais e patrimoniais que emanam da comunidade.

Uma das principais preocupações da Associação ABRIL é a de debater e partilhar os valores que defende com os mais jovens, no âmbito do seu compromisso com a promoção e desenvolvimento do pensamento crítico.

Neste contexto, se enquadra a sua participação e colaboração no Fórum Liberdade e Pensamento crítico, tanto na sua 1ª edição, como na 2ª, que ocorrerá no dia 9 de Novembro.

A Associação Abril tem como patrona Maria de Lourdes Pintasilgo (MLP), a primeira mulher que em Portugal exerceu o cargo de Primeiro Ministro e também a primeira mulher a candidatar-se à Presidência da República. Maria de Lourdes Pintasilgo no seu programa político defendeu como ninguém o exercício da democracia participativa, exortando os cidadãos para o gesto ativo e para o compromisso, tendo como base os pilares que definem os Fóruns: a liberdade e o pensamento crítico.

A Associação Abril, por sua vez, tem desenvolvido as suas actividades dentro desta concepção programática, com as devidas adaptações, fazendo uma espécie de radiografia do tempo e da sociedade que nos rodeia, no sentido de levantar questões que possam ser levados a debate, o mais possível esclarecedor, de modo a facilitar e induzir à ação.

No livro que MLP coordenou para as Nações Unidas, sob o título Cuidar o Futuro, de 1998, reúne, sem peias e de uma forma directa, medidas radicais para responder aos desafios que se colocam a todas as nações ricas e pobres, em relação às crises humanas, económicas e ecológicas que atravessam o mundo. Estas medidas poderiam muito bem ser objecto de reflexão de um próximo Fórum, de tal modo se identificam com as premissas e objectivos que levaram à organização do Fórum Liberdade e Pensamento Crítico, como por exemplo:

· Fazer da Qualidade de Vida de todos os seres humanos o objectivo último da ação social e política, nacional e internacional;

· Tomar a realização dos Direitos Humanos universais como metas precisas da Qualidade de Vida de todas as sociedades e estabelecer calendários para satisfação dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao descanso, a um ambiente e a uma ecologia que garanta a sobrevivência humana hoje e no futuro;

· Promover os direitos específicos das mulheres enquanto direitos humanos fundamentais e garantir, assim, a base indispensável à estabilização da população mundial;

· Rejeitar o domínio de um mercado cego que toma os seres humanos como descartáveis e contribuir para as parcerias indispensáveis a um novo contrato social;

· Mobilizar os recursos financeiros necessários a nível mundial, através de uma taxa sobre as transacções internacionais de capital, de modo a garantir eficazmente a Qualidade de Vida para toda a população do planeta.

A participação da associação abril no Fórum foi a vontade de tentar construir algo de valor, em conjunto com outras organizações. Para nós, trabalhar em conjunto, em rede, é desde logo um exercício de pensamento crítico a que nos sujeitamos perante os outros e, simultaneamente, nos obrigamos, muitas vezes com dificuldade, a mergulhar no mundo dos outros e a aceitar as suas perspectivas, dentro do conceito maior de liberdade.

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Maria Guadalupe Magalhães Portelinha

Então, o nosso objectivo primordial, é tentar semear horizontes para a construção de um futuro digno para todos. Só reflectindo sobre o presente se pode construir o futuro. E para construir o futuro é preciso, antes de mais, cuidá-lo. E cuidar com ternura, como ensinou MLP. São a ternura e o cuidado que criam um universo de excelências, de significações existenciais, daquilo que vale e ganha importância, em função do qual se pode sacrificar o tempo, o empenho, e, às vezes, até a vida. Até Che Guevara assumiu este contrato de vida com a ternura, dizendo que ”é preciso enrijecer, sem nunca perder a ternura”.

A raiz da nossa crise cultural, económica e social é uma aterradora falta de cuidado e ternura de uns para com os outros, de todos para com a Natureza e portanto para com o nosso próprio futuro.

Deve-se entender e dar importância à ligação entre ideias e ação, na certeza de que não deveria haver cortes entre economia e política, entre meios e fins, entre eficiência e equidade, entre métodos e valores, procurando associar a tudo isto o rigor, a democracia, nomeadamente a democracia participativa. É necessário pugnar por ir ao encontro de uma maior participação da opinião pública, de ouvir a voz dos cidadãos, de despertar consciências, educar para a cidadania, desenvolver o pensamento crítico, para que as pessoas se dêem conta de que ninguém pode pensar por elas, de que elas têm que ser donos das suas ideias, do seu destino, da sua própria história.

“Navegar é preciso…”

É preciso reclamar o desassossego, o bulir com ideias feitas, prosseguir na necessidade de agir, mesmo com a palavra, mudar a vida, mudando de vida. É preciso indignar-se com a injustiça, defender uma ética de futuro, de ter o pensamento nas vítimas da História, organizar a intervenção cívica, na senda da democracia cultural. É preciso reagir contra a perversão do liberalismo e neoliberalismo que vão matando a humanidade existente nos seres humanos. É preciso almejar um pacto de futuro e esperança entre os povos, entre as religiões, preservar a memória. É preciso ouvir e respeitar a Terra, a “Pacha Mama”, tão ameaçada pela ganância e pela ignorância. É preciso colocar a mulher no lugar digno e ativo dentro da sociedade, pois ser mulher é ter um papel ativo na construção de um mundo novo, é “alargar as fronteiras do possível”.

“É preciso lembrar que todas as conquistas conseguidas ao longo do séc. XX são fruto, não de uma benesse da “economia de mercado”, mas das lutas dos povos que a economia de mercado utilizou apenas como mão-de-obra necessária à criação de mais-valia, essa sim, não partilhada nem democratizada”(1). É preciso considerar que o mundo é a casa de todos nós e que ninguém tem o direito de colocar muros, arame farpado à volta de uma casa. É preciso indignação para que ninguém continue a morrer nas águas dos oceanos, nos caminhos da procura de uma vida de paz; ninguém pode morrer às mãos da “masculinidade tóxica”; ninguém pode morrer com balas perdidas. É preciso reflectir sobre o papel não só da Utopia mas também da Distopia nas nossas vidas, nas culturas, na política, na organização dos países, no funcionamento do mundo. É preciso defender a Liberdade como vivência, como um momento de consciência. É preciso cruzar linguagens, pontos de vista, ideias, ideais, construir pontes, abrir caminhos entre a urgência da ação e a serenidade da reflexão. É preciso “arrancar alegria ao futuro”, almejando algumas utopias… Queremos que o futuro tenha um presente.

É preciso ousar, inovar, lutar, resistir pois “nunca ninguém levantou voo que não fosse contra o vento”.

É preciso ouvir o conselho de Leonard Boff:”ensina teus passos /o caminho dos sonhos/vives o tempo da coragem/a música do risco/ o tempo te desafia clamando.”

Baseamos esta reflexão em premissas que assentam na certeza de que a partilha de conhecimento, da informação e de experiências é um meio eficaz para o enriquecimento pessoal e social das comunidades e dos povos. Para nosso enriquecimento também. Para além disso, a sua promoção e valorização contribuem para a multiplicação e difusão dos valores fundadores da nossa cultura, baseada na liberdade, equidade e fraternidade. Vamos, pois, agora e sempre defender o pensamento na ação, o pensamento crítico. A liberdade.

Maria Guadalupe Magalhães Portelinha

( Presidente da Associação abril)

(1) Mário Moutinho, numa sessão promovida pela abril denominada “Violência com todos os nomes: a Pobreza”, na SPA.

Casa da Língua Portuguesa e a Liberdade

A Casa da Língua Portuguesa tem como “missão” a aproximação das comunidades através da Arte, difundindo a Língua Portuguesa, como um caminho para a Evolução e a Paz.

Acreditamos que Arte é uma via de comunicação direta entre os seres, capaz de transcender as diferenças, sejam elas económicas, étnicas ou culturais. Acreditamos ainda, que sem liberdade, educação e cultura não há como evoluirmos.

“Pois toda felicidade não é mais, talvez, que felicidade de expressão.”
(Michel Foucault)

Sendo assim, é praticamente orgânico o apoio da Casa da Língua Portuguesa ao Fórum Liberdade e Pensamento Crítico; sobretudo no momento tão delicado em que vivemos, quando somos bombardeados diariamente com uma diversidade de informação que nos chega de forma super-rápida e nem sempre baseada em fatos reais.

O acesso facilitado à informação de nossos dias, supostamente deveria ser uma mais valia, no entanto, muitas vezes se verifica como fator de manipulação, como podemos constatar pela quantidade de “fake news”, famigerada ferramenta que a cada dia que passa interfere em decisões e gera consequências da maior importância e gravidade, alterando inclusive o rumo do “inconsciente coletivo”.

“Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse.”
(Friedrich Wilhelm Nietzsche)

O pensamento crítico é a habilidade de pensarmos por nós mesmos e de tomar decisões sobre em que acreditar e o que fazer de forma racional, confiável e responsável. Também é a habilidade de questionar ideias e opiniões nossas e de terceiros, de forma objetiva; descobrir em que fatos, suposições, crenças ou preconceito elas se baseiam; avaliar as fontes e as qualificações de quem opina; avaliar as consequências de adotar ou não tais ideias e opiniões.

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Denise Bernstein
Diretora executiva

Sem liberdade é impossível exercitar o pensamento crítico, que parte da premissa do questionamento. Pensar críticamente não é atacar pessoas ou opiniões, mas sim examinar de forma racional e objetiva ideias, opiniões e argumentos.

Pelo tudo que já se lutou para conquistar liberdades básicas, é preciso resistir e persistir de forma a preservar liberdades conquistadas com muita luta, e desta forma avançarmos no caminho da igualdade e da paz entre os homens.

“O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.”
(Aristóteles)

Associação Mares Navegados e o Pensamento Crítico

A Associação Mares Navegados e o Fórum Liberdade e Pensamento Crítico

A apatia, o desânimo e a humilhação de grande parte da população portuguesa durante o longo período da ditadura do regime do Estado Novo deixaram a maioria das pessoas sem o direito a manter-se fiel a emoções nobres. O indivíduo era considerado pelo Estado como propriedade da Nação. Vários tipos de desacordo com o regime, o desacordo puritano e o libertino, o fundado numa crença ou o fundado no ceticismo…enfim, muitos portugueses, expulsos ou sentindo-se estrangeiros no seu país, partiram para o exílio. E fizeram do seu banimento um começo libertador.

Com a Revolução de Abril de 1974, a cidadania foi recuperada e muitos dos antigos exilados integraram-se ao país.

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Jacinto Rego de Almeida

A Associação Mares Navegados (AMN), organização da sociedade civil fundada em 2007, foi formada, em grande parte, por antigos exilados no Brasil, com a finalidade de acompanhar e promover política e culturalmente os países de língua oficial portuguesa.

Tendo em conta a complexidade do atual estado do mundo, a AMN associou-se desde o primeiro momento à ideia do seu associado e fundador Camilo Mortágua de se organizar o Fórum “Liberdade e Pensamento Crítico”. E empenhou-se através do intenso trabalho da maioria dos seus dirigentes na sua preparação e realização em 2018 e agora na preparação da 2ª edição, a realizar em novembro próximo.

A agenda política e social do mundo nos últimos anos tem-se alterado profundamente. Há uma perda de intensidade democrática em alguns dos mais destacados países do Ocidente, uma crescente perda de direitos dos trabalhadores é acompanhada da elevação da desigualdade da distribuição das riquezas no quadro da globalização, um crescente agravamento das migrações desordenadas à escala mundial, complexos desafios acompanham o desenvolvimento da implantação das novas tecnologias, nomeadamente no que concerne à informação e os problemas ambientais agravam-se ano a ano, pondo até em risco a vida no nosso planeta.

Assim, importantes e constantes novos desafios surgem associados uns aos outros, intercalando-se… uma nova Era parece estar a nascer. Enfim, o mundo dos nossos dias parece um novelo de lã a desfazer-se, uma orquestra a desafinar, um cortejo que se dispersa…

A AMN, com a experiência de vida política e social dos seus associados, espera contribuir para a mobilização de cidadãos, nomeadamente junto à juventude, e para a reflexão e divulgação das importantes questões que serão abordadas nos Fóruns que virão pela frente.

Pensar o mundo, a sociedade e a cidadania com Liberdade e pensamento crítico.

Jacinto Rego de Almeida

Presidente da Associação Mares Navegados

A ameaça das Fake News

As fake news, ou em bom português, as notícias falsas, são um instrumento antigo, mas cada vez mais recorrente, nos processos de desestabilização e reforço da extrema-direita na Europa e no mundo. Abaixo seguem algumas notícias em torno ao tema:

Desvendada ampla rede de fake news na Europa (DW)
https://www.dw.com/pt-br/desvendada-ampla-rede-de-fake-news-na-europa/a-48825096

Facebook apaga fake news e contas de extrema-direita (EBC)
http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2019-05/facebook-apaga-fake-news-e-contas-de-extrema-direita

Grupos de extrema-direita no Facebook espalham mensagens de ódio para milhões em grupos na Europa(The Guardian – Em Inglês)
https://www.theguardian.com/world/2019/may/22/far-right-facebook-groups-spreading-hate-to-millions-in-europe

Uma actualização sobre Miguel Duarte, o jovem português que ajudou no resgate de refugiados

Miguel Duarte será um dos participantes do 2º Fórum Liberdade e Pensamento Crítico. Ele estará presente no debate sobre Refugiados/Migrações, dia 9 de novembro no Liceu Camões, em LIsboa.

O vídeo da campanha de crowdfunding com o testemunho do Miguel Duarte já chegou a 650 000 visualizações e essa campanha alcançou mais de um milhão de pessoas, comunicou recentemente a Humans Before Borders.


 

A história é simples de resumir: há dois anos, Miguel Duarte, agora com 26 anos, voluntariou-se para ajudar num resgate de refugiados em pleno Mediterrâneo; fê-lo através da ONG alemã Jugend Rettet e a bordo da embarcação Iuventa. Hoje, Miguel e mais nove pessoas enfrentam as autoridades italianas, que os acusam de auxiliarem a imigração ilegal. Arriscam uma pena de prisão no máximo de 20 anos e multas avultadas pelo resgate de cerca de 14 mil migrantes naquele navio.

1 – já foram angariados mais de 50 mil euros
Assim, no início de Junho, a associação Humans Before Borders, da qual Miguel faz parte, lançou uma campanha de crowdfunding na plataforma PPL com o primeiro objectivo de angariar 5 mil euros. A meta foi alcançada numa semana e os promotores subiram a fasquia para 10 mil euros. À hora e data deste artigo, a campanha que irá terminar no dia 12 de Julho conta com 51 423 euros angariados de um total de 2768 apoiantes.

Foto via Humans Before Borders

2 – cobertura mediática
Todo o buzz que o caso de Miguel Duarte ganhou na comunicação social portuguesa terá ajudado a Humans Before Borders a superar todas as expectativas. Depois da notícia do Shifter, o crowdfunding espalhou-se pelos principais jornais e televisões nacionais. Miguel desmultiplicou-se em entrevistas, em particular uma com o Observador, onde se popularizou esta sua frase: “Quando vejo uma pessoa a morrer afogada não lhe pergunto se tem passaporte. Tiro-a da água.”

A história de Miguel Duarte tornou-se amplamente mediática. Daniel Oliveira escreveu sobre ela, Pedro Marques Lopes também, tal como Mariana Mortágua e Duarte Marques; Miguel foi elogiado por Marques Mendes no seu comentário de domingo à noite na SIC e foi tema numa das reuniões do Governo Sombra na TVI; Fátima Lopes convidou-o para o seu programa da tarde, e o próprio Miguel Duarte publicou um artigo de opinião no Expresso.

A campanha de crowdfunding no PPL

Miguel Duarte em destaque no comentário político de Marques Mendes (screenshot via SIC)

3 – o apoio político
O Bloco de Esquerda foi o primeiro partido político a ligar-se a Miguel Duarte. Catarina Martins convidou o jovem para um encontro no Parlamento com a própria e o deputado José Manuel Pureza. Depois do encontro, que decorreu no dia 18, a líder do partido escreveu no Twitter: “Hoje estivemos com o Miguel Duarte que salvou vidas de refugiados no Mediterrâneo. O Governo italiano considera isso um crime (!) e processou-o. Assim actua a extrema direita. O Governo português deve defender o Miguel e reprovar este processo que não é judicial, é político.”

Fonte: Redacção de Sapo.pt


Dando prosseguimento à notícia relacionada à repercussão do caso, trazemos o questionamento feito pela eurodeputada do Partido Comunista Português (PCP), Sandra Pereira à Comissão Europeia apresentada no Parlamento Europeu no dia 24 de Julho de 2019:

Salvar vidas não é crime
24 Julho 2019

Miguel Duarte é um jovem português que, ao ver sucessivas notícias sobre as tragédias no Mar Mediterrâneo relacionadas com os refugiados, decidiu, em 2016, juntar-se à organização não-governamental alemã Jugend Rette que socorreu já milhares de pessoas, crianças e adultos, em sofrimento e risco de vida na travessia em alto mar.
Pela sua abnegada e generosa participação nas acções de resgate e salvamento, foi constituído arguido pelo governo italiano por suspeitas do crime de auxílio à imigração ilegal. Poderá agora incorrer em 20 anos de prisão, se for considerado culpado.
Pergunto:
1. Tem conhecimento deste caso? Se tem, que posição tomou? Considera criminosas as acções de regaste e salvamento levadas a cabo por organizações não-governamentais no Mar Mediterrâneo?
2. A criminalização do resgate e salvamento é consentâneo com os tão proclamados “valores europeus” que a União Europeia continuamente repete?
3. Que apoios, nomeadamente jurídico, podem ser disponibilizados aos activistas, como Miguel Duarte, em sua defesa perante tais acusações?

Fonte: PCP

Reflexões para um texto sem nome..

Explicação inútil.

É uma carência – consequência quantitativa da excessiva vontade de reter mais informação do que posso usar, considerada de forma global e infra – influente entre todos os significantes , para ponderação equilibrada de críticos resultados e opções.

Retenho o que julgo ser o essencial dos pensamentos, mas quase sempre perco as referências pessoais dos autores, talvez por pensar erradamente que pouco me importa quem pensa, que o importante é o sentido e valor do que se pensou.

Nunca sei quem disse, – isto ou aquilo – que retive, como pensamento enriquecedor da minha maneira de analisar e compreender um qualquer assunto.

Limitação que, apesar de tudo, causa algum incómodo quando se trata de valorizar alguém que julgamos merecedor de citação, ou suficientemente valoroso para nos acrescentar credibilidade.

Mas, assim é, e tem de ser dito.

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A LIBERDADE

Reconhecidos pensadores têm defendido que a LIBERDADE é uma reunião permanente sem fim., ou uma sucessão de reuniões sem fim!

Parece-me uma afirmação interessante. E porquê ? Porque intuitivamente, vejo nela uma certa força provocatória, merecedora da aplicação do “ pensamento crítico” ao seu global significado.

Por experiência própria, vivo em reunião permanente com o meu “caco – Comité de auto Análise Comportamental” sobre a Liberdade e as melhores maneiras de a defender…dai, pensar que a afirmação tem razão de ser.

Admito que aja quem se interrogue, – então se estão sempre em reunião, não trabalham! e se não trabalham, como é que podem SER LIVRES e defender a Liberdade,?- e, pensando, mais uma vez, a resposta surge através do Pensamento Crítico.

Sim… porque, uma reunião, se for apenas uma troca de palavras entre pessoas fisicamente presentes, reagindo ao que no momento se diz, pode sensorialmente ser muito interessante e até divertida, (ainda bem) mas talvez peque por falta da objectividade que só a reflexão e a análise critica permitem, ao compor o pensamento útil, para o consenso pretendido, Uma reunião , poderá não ser mais produtiva,por ser contínua!

A espontaneidade dum volátil pensamento, quase sempre nos impede de avaliar as suas consequências.

Muitas destas reuniões ficam-se por aí, são reuniões, sem chegarem a ser esforço reflectido e sério para resolver problemas, por vezes não passam de oportunidades para exibições verbais de ordem pessoal, também úteis, porque reveladoras de características importantes das personalidades de cada um.

Neste tipo de reuniões, fazem-se muitas juras de amor à LIBERDADE , que são apenas, sem que os próprios autores o saibam, simples e temporões prenúncios de populismos latentes.. .

Esta uma das razões, para as minhas reservas sobre o pretendido alcance, de meticulosos “Manifestos”que pretendam explicar-nos as manifestações futuras de determinadas organizações.

Explicar – nos, de forma estruturada e meticulosa, as práticas, objectivos e ambivalentes sentimentos sobre os acontecimentos futuros, provocadores de decisões que devem passar pelo filtro social e cultural de cada responsável, pessoa ou organização. De certa maneira, pré – estabelecer regras e comportamentos de aplicação geral, a situações únicas, até cronologicamente, é uma limitação da Liberdade.

Em cada tempo e para cada modo, há uma especificidade irrepetível, só perceptível a quem assume a questão, e ousa. e quer criar

A quem ambiciona o diferente, o melhor ainda que desconhecido, a quem aceita a responsabilidade de falhar, de ser dono da própria vida, em seu intento de SER evolução e futuro.

Nós, somos e manifestamo-nos:

Defensores, e solidários em defesa acérrima da LIBERDADE DE PENSAMENTO,

obedientes na acção às leis que em liberdade e por métodos democráticos sejam concebidas, assumimos e assumiremos sempre os riscos inerentes Á `defesa da LIBERDADE

Da LIBERDADE continuamente LIBERTADORA. das formas e conceitos de a conceber , regenerar e defender. LIBERDADE sem dono nem mestre, sempre e tão só

expressão genuína daquilo que somos. LIBERDADE Concreta e tão relativa como a vida que sejamos capazes de organizar, por muito que isso nos custe.

Sem esquecer que a LIBERDADE só é perigosa para quem a defende, não desistiremos de afirmar publicamente, sempre que as nossas forças o permitam, que estamos disponíveis e motivados para receber quem quiser vir, assim como, para acompanhar quem necessitar da nossa companhia.

OS fóruns “Liberdade e Pensamento Crítico” a realizar sempre que as energias dos defensores da liberdade o possibilite, sem restrições de lugar ou tempo, são os momentos de prova da nossa fidelidade à causa da Liberdade.

Porque assim pensamos. estamos convictos e firmemente decididos a tudo fazer

para que aqueles que. no começo de suas vidas. ainda não são “activos defensores da LIBERDADE E DO PENSAMENTO CRÍTICO” se integrem. rapidamente, livremente, nesta raiz, neste pensamento, que não há machado que corte.!

Não temos patrimónios materiais que sirvam de alavancas para promover nossas ideias ou a imagem social de nossas vidas, elementos Povo, somos átomos positivos , duma Sociedade diversa, multi-Celular, que só em Liberdade pode evoluir e sobreviver, seja qual for a surpresa do futuro.

 

Camilo Mortágua
30 de Setembro de 2019

Noam Chomsky: “As pessoas já não acreditam nos fatos”

 

Prestes a fazer 90 anos, acaba de abandonar o MIT. Ali revolucionou a linguística moderna e se transformou na consciência crítica dos EUA

12 MAR 2018 – 19:45 CET

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/06/cultura/1520352987_936609.html

Noam Chomsky (Filadélfia, 1928) superou faz tempo as barreiras da vaidade. Não fala de sua vida privada, não usa celular e em um tempo onde abunda o líquido e até o gasoso, ele representa o sólido. Foi detido por opor-se à Guerra do Vietnã, figurou na lista negra de Richard Nixon, apoiou a publicação dos Papéis do Pentágono e denunciou a guerra suja de Ronald Reagan. Ao longo de 60 anos, não há luta que ele não tenha travado. Defende tanto a causa curda como o combate à mudança climática. Tanto aparece em uma manifestação do Occupy Movement como apoia os imigrantes sem documentos. Continuar lendo

Para educar crianças feministas um manifesto. Chimamanda Ngozi Adichie

Há alguns anos, quando uma amiga de infância — que cresceu e se tornou uma mulher bondosa, forte e inteligente — me perguntou o que devia fazer para criar sua filha como feminista, minha primeira reação foi pensar que eu não sabia. Parecia uma tarefa imensa. Mas, como eu me manifestara publicamente sobre o feminismo, talvez ela achasse que eu era uma especialista no assunto. Ao longo dos anos, eu havia cuidado de muitos filhos de pessoas próximas, tinha si-  do baby-sitter e ajudado a criar sobrinhos e sobrinhas. Havia observado muito, ouvido muito e pensado ainda mais …

Para educar crianças feministas um manifesto-Chimamanda N. Adichie

 

Revolução e Democracia – Boaventura de Sousa Santos

Boaventura de Sousa Santos – Jornal de Letras, 6-9 dezembro, 2017

http://alice.ces.uc.pt/en/index.php/alice-info/revolucao-e-democracia-by-boaventura-de-sousa-santos-in-jornal-de-letras-6-9-december-2017/?lang=pt

Tenho vindo a escrever que um dos desenvolvimentos políticos mais fatais dos últimos cem anos foi a separação e até contradição entre  revolução e democracia como dois paradigmas de transformação social. Tenho afirmado que esse facto é, em parte, responsável pela situação de impasse em que nos encontramos. Enquanto no início do século XX dispúnhamos de dois paradigmas de transformação social e os conflitos entre eles eram intensos, hoje, no início do século XXI, não dispomos de nenhum deles. A revolução não está na agenda política e a democracia perdeu todo o impulso reformista que tinha, estando transformada numa arma do imperialismo e tendo sido em muitos países sequestrada por antidemocratas. Continuar lendo

A mercantilização do corpo – mídia e capitalismo – Lionês Araújo dos Santos & Juan Felipe Sànchez Mederos

Este artigo ocupa-se de analisar alguns aspectos sobre a questão da mercantilização do corpo na contemporaneidade. Nota-se que a mídia e o capitalismo aparecem como as principais instâncias na promoção do consumo e, consequentemente, a mercantilização do corpo.
Percebe-se que a contemporaneidade está fortemente marcada pela massificação da publicidade e pela expansão de mercados e aumento de consumo. Atualmente, nada parece escapar aos domínios da publicidade e do mercado que se expande cada vez mais com a globalização, ocupando todos os espaços e mercantilizando tudo, inclusive corpos.

A MERCANTILIZAÇÃO DO CORPO – MÍDIA E CAPITALISMO

http://e-revista.unioeste.br/index.php/espacoplural/article/viewFile/7243/5313