4.º Fórum Liberdade e Pensamento Crítico: Ambiente e Ecologia

O nosso planeta está gravemente doente, vítima da actividade irreflectida e insensata do
homem, pondo em causa a sua própria sobrevivência. Os desastres multiplicam-se e
avolumam-se. O equilíbrio de todos os sistemas essenciais à vida foi corrompido. A lista
é longa e nada escapa: perda da cobertura florestal, degradação dos solos aráveis, da água
(doce e oceânica), do ar, rarefacção da camada de ozono, degelo dos polos e dos glaciares
pondo em risco zonas urbanas e planícies, desertificação de vastas regiões, agricultura
químico-industrial, ameaça nuclear, etc. Consequentemente perfilam-se no horizonte
emigrações em massa, fome, miséria, guerra, sofrimento. E se os discursos oficiais
começam a aflorar os problemas (com meio século de atraso, diga-se) na prática muito
pouco ou nada de substancial se faz.
Perante este cenário, que fazer? Esta a questão crucial do nosso tempo. Perante a
inoperância do sistema, ocupado com o supérfluo (crescimento, mercados e lucro, pois
então…) a esperança recai na capacidade de intervenção cidadã, muito em particular das
camadas mais jovens, eles sim, no olho do furacão que não deixará de se abater sobre o
nosso mundo. Em muitos casos será muito difícil e bastante longo repor as condições
originais (caso das alterações do clima, por exemplo), mas podemos (teremos) trabalhar
arduamente para amenizar o desastre.
Se não houver uma forte reacção dos cidadãos caminhamos para o colapso. O movimento
ecologista, a nível geral, parece ter esquecido muito do essencial das premissas expressas
aquando da sua origem. No caso particular do nosso país encontra-se atolado, em meu
entender, num pântano de contradições, questiúnculas menores e sem conseguir quebrar
as barreiras que a situação exige e gerar uma unidade alargada em torno dos problemas
centrais e conseguir o apoio de largos sectores da população que o rejuvenesçam e
projectem.
E, no entanto, há questões de extrema urgência que não podem mais ser iludidas:

  • a desertificação prevista, todos os estudos são unânimes, de cerca de metade do país ou,
    talvez, bastante mais.
  • a perda, porventura irreversível, dos nossos melhores terrenos agrícolas devido às más e
    demolidoras práticas da agricultura convencional ou à invasão das águas salgadas.
  • a real e potencial ameaça que constituem os dois reactores da central electronuclear de
    Almaraz. Após Chernobyl e Fukujima ninguém pode crer em segurança absoluta. Um
    acidente semelhante ao da central ucraniana poderá condenar irremediavelmente, quiçá
    para centenas de anos, vasta extensão do nosso território.

Para os dois últimos exemplos as soluções imediatas são evidentes. A resolução do
primeiro é mais complexa e obrigará a medidas mais exigentes.
Mas o ataque à imensidade de problemas que a humanidade terá de solucionar obrigará à
adopção de medidas cirúrgicas e corajosas. A oposição será colossal, mas não se
enxergam alternativas.

José Louza

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s