Lábios vermelhos: ataque demonstra quem é André Ventura

Se o objetivo era atacar a feminilidade de uma mulher, a verdade é que tanto elas como eles encheram esta sexta-feira, 15 de janeiro, as redes sociais de fotografias de lábios pintados de vermelho. Tudo porque Marisa Matias, candidata às Presidenciais apoiada pelo Bloco de Esquerda, foi politicamente apontada pelo líder e deputado único do Chega, André Ventura, de usar batom vermelho.

Ela “não está muito bem em termos de imagem, com aquele batom vermelho, como se fosse uma coisa de brincar”, afirmou, ao quarto dia de campanha presidencial. Um comentário que levou até rivais na corrida a Belém, como Ana Gomes, a publicar um vídeo onde surgia a pintar os lábios dessa cor. A tag #vermelhoembelem dominou as redes sociais portuguesas nas últimas horas.

Como forma de repúdio, #VermelhoEmBelem(link is external) invadiu as redes sociais e subiu ao trending do Twitter, que conta já com 12.6 mil tweets com a hashtag. No Instagram e Facebook são também já milhares as publicações de lábios vermelhos que se fazem acompanhar de #VermelhoEmBelem(link is external). Entre as inúmeras personalidades que já expressaram a sua solidariedade com Marisa Matias figuram, inclusive, o candidato da esquerda nas recentes eleições para a Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, e o ex-deputado que foi voz das causas LGBT+ no parlamento brasileiro, Jean Willys.

O burlão que saiu do frio

De um político do séc. XXI, espera-se, ideologias à parte, que carregue o património civilizacional conquistado ao longo de séculos

Escondidos da vaga polar, a dias do novo confinamento, assistimos à campanha presidencial mais estranha de sempre: sem ruas, sem praças e sem beijinhos. Odioso, o vírus obriga os candidatos à agilidade mediática, sobrecarregando assessores e jornalistas, e à proficuidade digital, com rios de dinheiro investidos no online. Do outro lado do Atlântico, o exército fanático de Trump assalta a casa da democracia americana, como que concretizando o fetiche sádico de um vilão netflixiano. Tal como no final apoteótico de um filme mau, a invasão do Capitólio por um bando de fanáticos foi o previsível clímax de quatro anos de ódio, mentira e destruição democrática. Para a Europa, onde uma vaga de pupilos de Trump lhe copia o método, torna-se evidente a urgência de fortificar a Democracia contra o populismo barato e retrógrado. E esse processo já começou: em Portugal também.

Se, neste amado retângulo à beira-mar plantado, as modas chegam frequentemente com atraso, há momentos em que o nosso estatuto de país periférico se torna vantajoso. No caso da vaga mundial de oportunistas de extrema-direita, essa realidade evidencia-se. Se, como um irmão mais novo, formos capazes de aprender com os exemplos que nos precedem, prevenindo erros crassos e respondendo à altura, conseguiremos não cair na esparrela.

Esta semana, os Estados Unidos da América escancararam a falência da sua democracia, até para quem não acreditava ou se recusava a fazê-lo. Uma sociedade fragmentada, moralmente falida e sem rumo, vigiada pela Estátua da Liberdade como o espelho de um sistema em desabamento. Outrora tida como sólida e, para alguns, até um “farol do mundo”, a democracia americana foi deixada em cinzas por um homem que, tal como os aprendizes que o seguem, se aproveitam do legítimo cansaço, do descontentamento e da frustração das pessoas, para tomar o poder e deitar por terra o castelo de areia. Se a queda de Trump foi uma das poucas boas notícias de 2020, a recuperação americana desse vírus político levará bem mais do que quatro anos. Mas como é que alguém assim foi lá parar?

Há certas características que fazem de Trump um protótipo de populista radical e é importante que saibamos encontrá-las nos políticos que as replicam. Tornado célebre no seio de uma cultura mediática dependente do grotesco e do escândalo, Trump conquistou os holofotes da televisão e a atenção do público por via de um estilo diferente do habitual nos políticos: um registo “sem papas na língua”, que diz “o que lhe apetece” e “sem medo de ser politicamente incorreto”. Este cunho difere muito, felizmente, da pose natural de um político democrático moderno – que, quando fala ou age em público, tenta, por norma, seguir uma linha de racionalidade, escolhendo gestos e palavras dentro de um quadro de valores culturais e civilizacionais. De um político do séc. XXI, espera-se, ideologias à parte, que carregue o património civilizacional conquistado ao longo de séculos. Afastando-se do polimento esperado de um político, os novos populistas aproximam o seu discurso do modo como falam as pessoas nas novelas, nos reality shows ou no comentário desportivo – sem filtros e sem regras -, tornando tudo extremamente mais simplista e, portanto, “viral”. Certas camadas da população, vítimas de um sistema desigual e incapaz de lhes dar oportunidades, sentem-se próximas deste discurso e identificam-se com ele. De seguida, a receita manda “dividir para reinar”: tanto Trump, como Bolsonaro, Modi, Erdogan, Salvini, Strache ou Abascal se apressam a criar inimigos, sejam eles os imigrantes, os pobres, os media, “a esquerda”, ou “aqueles que não querem trabalhar”. Não interessa quem são os inimigos, desde que sejam, alegadamente, bastantes. Por fim, a desinformação: todos estes populistas criam os seus próprios circuitos fechados de comunicação, com especial aposta nas redes sociais, nos grupos privados e nos canais de Youtube, para manipular e radicalizar a sua base de apoio. Todos apressam-se a descredibilizar os meios de comunicação convencionais, como os jornais, a televisão ou a rádio, convencendo os seus seguidores de que são detentores “da verdade”. Soará esta estratégia familiar a Portugal?

As eleições presidenciais estão ao virar da esquina e os debates têm evidenciado uma série de aspetos. Em 2021, candidata-se à Presidência da República um grupo diversificado de pessoas com posições e ideologias muito diferentes, face ao qual cada português exercerá a sua livre escolha. Mas, mais do que insistir na divisão simplista e enganadora entre esquerda e direita, há que olhar para este espectro com o filtro da democracia, infalível como o algodão. Há candidaturas democráticas e uma candidatura antidemocrática. Entre as várias candidaturas, há uma, e apenas uma, que pertence à família de Trump. Há uma candidatura cujas propostas negam o nosso progresso civilizacional e recusam o património coletivo do respeito pelos Direitos Humanos, apelando à intolerância, à divisão e à discriminação. Apesar de não ter a mínima hipótese nestas eleições, há uma força política que se diz nacionalista e católica, mas segue o modelo da extrema-direita internacional (o que é, no mínimo, estranho para um movimento dito nacionalista) e vai contra a doutrina social da Igreja e contra todos os valores da cristandade. Essa força política assenta a sua campanha na ideia da divisão entre os “portugueses de bem” e os outros, quando, curiosamente, foi exatamente isso que Trump chamou aos invasores do Capitólio: “pessoas de bem”. Perante esta afronta, a democracia terá de se defender. E todos os democratas, de esquerda e de direita, são chamados à defesa.

Depois de quatro anos em que o “assalto à democracia” pelo populismo americano foi uma força de expressão dos comentadores políticos, a democracia foi, de facto, assaltada, no Capitólio. A literalização desta figura de estilo é, uma vez mais, a prova de que as palavras não são “só palavras”: o discurso de ódio fragmentário resultará sempre em ódio real e divisão. Para combater a fria vaga dos extremismos, há duas vias claras: primeiro, traçar linhas vermelhas, não dando confiança a projetos antidemocráticos, e acabando com a tolerância para com os intolerantes. Segundo, atacar os problemas que motivam o descontentamento legítimo das populações: sem justiça e direitos sociais, sem combate à corrupção e às desigualdades, nenhuma sociedade será saudável. As democracias sólidas têm tudo aquilo de que precisam para eliminar as forças extremistas: inteligência, valores e humanismo.

Democratas de todo o mundo, uni-vos!

Henrique Costa Santos, Visão, 11 de Janeiro de 2021

Enfim, descobrimos o planeta Terra

Um dos efeitos positivos da intrusão do Covid-19 foi a descoberta do planeta Terra por toda a humanidade. Demo-nos forçosamente conta de que vigora uma íntima conexão entre a vida humana, a natureza e o planeta Terra. O vírus não caiu do céu. Ele veio como contra-ataque da Terra, tida como supersistema vivo que sempre se cria, autocria e se organiza para manter-se vivo e produzir todo tipo de vida existente neste planeta. Particularmente o quintilhões de quintilhões de micro-organismos que existem nos solos e mesmo em nosso próprio corpo, verdadeira galáxia (Antônio Nobre) habitada por um número incalculável de vírus, bactérias e outros micro-organismos.

O contexto do vírus, quase nunca citado pelos analistas das redes de comunicação, é o sistema capitalista antinatureza e antivida. Ele fez com que o vírus perdesse seu habitat e avançasse sobre nós. Esse sistema de produção e de consumo impiedosamente assalta a natureza, depreda seus bens e serviços e destrói o equilíbrio da Terra.

Esta nos responde com o aquecimento global, a erosão da biodiversidade, a escassez de água potável e outros eventos extremos. Todos de alguma forma participamos deste ecocídio, mas os atores principais – é forçoso dizê-lo e denunciá-lo – são o sistema do capital e a cultura do consumo desbragado, especialmente os milionários com seu consumo suntuoso. Portanto, tiremos a culpa de cima da humanidade pobre que minimamente colabora e é vítima do referido sistema.

O ser humano, sempre curioso por saber mais e mais, fez descobertas sem número: de novas terras como as da América, de povos, culturas, todo tipo de aparatos desde o arado até o robot, o submundo da matéria, os átomos, os quarks e o campo Higgs, o íntimo da vida, o código genético. E não param as descobertas.

Mas quem descobriu a Terra? Foi preciso que enviássemos astronautas para fora da Terra ou ir até a Lua para de lá ver a Terra de fora da Terra e finalmente, maravilhados, descobrir a Terra, nossa Casa Comum. Frank White escreveu em 1987 um livro The Overview Effect (tenho um livro autografado por ele de 5/29/1989) no qual recolhe os testemunhos dos astronautas emocionados até às lágrimas.

O astronauta Russel Scheickhart nos revela: ”Vista a partir de fora, a Terra parece tão pequena e frágil, uma pequenina mancha preciosa que você pode cobrir com seu polegar. Tudo o que significa alguma coisa para você, toda a história, arte, o nascimento e a morte, o amor, a alegria e as lágrimas, tudo está naquele ponto azul e branco que você pode cobrir com seu polegar. E a partir daquela perspectiva você entende que tudo mudou… que a relação não é mais a mesma como fora antes” (White, p.200).

Eugene Cernan confessou: ”Eu fui o último homem a pisar na Lua em dezembro de 1972. Da superfície lunar olhava com um tremor reverencial para a Terra, num transfundo muito escuro. O que eu via era demasiadamente belo para ser apreendido, demasiadamente ordenado e cheio de propósito para ser um mero acidente cósmico. A gente se sentira interiormente obrigado a louvar a Deus. Deus deve existir, por ter criado aquilo que eu tinha o privilégio de contemplar. Espontaneamente surgem a veneração e a ação de graças. É para isso que existe o Universo” (White p. 205).

De forma acertada, comenta Joseph P. Allen: ”Discutiu-se muito os prós e contras das viagens à Lua. Não ouvi ninguém argumentar que devíamos ir à Lua para podermos ver de lá a Terra de fora da Terra. Depois de tudo, esta deve ter sido, seguramente, a verdadeira razão de termos ido à Lua” (White, p. 233).

Efetivamente esta é a razão secreta e inconsciente das viagens espaciais: descobrir a Terra, o terceiro planeta de um sol de quinta categoria, dentro de nossa galáxia. O sistema solar no qual está a nossa Terra dista 27 mil anos-luz do centro da galáxia, a Via Láctea, na face interna do braço espiral de Orion. Esse sistema com a Terra ao redor é um quase nada e nós “une quantité négigueable”, perto do zero. E contudo é daqui que a Terra através de nós contempla o inteiro Universo, do qual é parte. É através de nossa inteligência, que pertence ao próprio Universo, que ele se pensa a si mesmo. O que conta em nós não é a “quantidade” mas a “qualidade”, única, capaz de pensar, amar o Universo e venerar Aquele que permanentemente o sustenta.

Não apenas descobrimos a Terra. Descobrimos que somos aquela porção da Terra que pensa, ama e cuida. Por isso o ser humano (homo em latim) vem de “húmus”, terra fértil ou Adão que procede de “Adamah”, terra fecunda.

A partir de agora nunca sairá de nossa consciência de que temos descoberto a Terra, nosso lar cósmico e que somos a parte consciente, inteligente e amorosa dela. Porque somos portadores destas qualidades, nossa missão é cuidar dela como Casa Comum e de todos os demais seres, que nela habitam e que têm a mesma origem que nós, portanto, são nossos parentes.

Se assim é, por que a temos maltratado, superexplorado e estamos destruindo as bases que sustentam nossa vida? Se há uma lição que a Mãe Terra através do Covid-19 nos quer transmitir é seguramente esta:
“Mudem vossa relação para com a natureza e para comigo, se quiserdes que eu continue a vos oferecer tudo o que precisais para viver na sobriedade compartida, na fraternidade e sororidade universais e no cuidado amoroso para com todos vossos irmãos e irmãs da grande comunidade de vida, também meus filhos e filhas bem-amados. Outrora, em tempo imemoriais, eu vos propus “a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhei vida para que vivais com toda a vossa descendência. Essa promessa eu sempre manterei” (Deut 30,28).

Escolhamos a vida. É o apelo da Mãe Terra. É o desígnio do Criador.

Leonardo Boff, Jornal do Brasil, 10 de Janeiro de 2021

Trump não tomará cianeto

Trump não é Hitler, os EUA não são a Alemanha nazi, nenhum exército invasor está caminho da Casa Branca. Apesar de tudo isto, não é possível evitar uma comparação entre Trump nestes últimos dias e os últimos dias de Hitler. Hitler no seu bunker, Trump na Casa Branca. Os dois, tendo perdido o sentido da realidade, dão ordens que ninguém cumpre e, quando desobedecidos, declaram traições, e estas vão chegando até aos mais próximos e incondicionais: Himmler, no caso de Hitler, Mike Pence, no caso de Trump.  Tal como Hitler se recusou a acreditar que o Exército Vermelho soviético estava a dez quilómetros do bunker, Trump recusa-se a reconhecer que perdeu as eleições. Terminam aqui as comparações. Ao contrário de Hitler, Trump não vê chegado o seu fim político e muito menos recolherá ao seu quarto para, juntamente com a mulher, Melanie Trump, ingerir cianeto, e ter os seus corpos incinerados, conforme testamento, no exterior do bunker, ou seja, nos jardins da Casa Branca.  Por que não o faz?

No final da guerra, Hitler sentia-se isolado e profundamente desiludido com os alemães por não terem sabido estar à altura dos altos destinos que lhes reservara. Como diria Goebbels, também no bunker: “O povo alemão escolheu o seu destino e agora as suas pequenas gargantas estão sendo cortadas”. Ao contrário, Trump tem uma base social de milhões de norte-americanos e, entre os mais fiéis, grupos de supremacistas brancos armados e dispostos a seguir o líder, mesmo que a ordem seja invadir e vandalizar a sede do Congresso. E, longe de ser pessimista a respeito deles, Trump considera os seus seguidores os melhores norte-americanos e grandes patriotas, aqueles que farão a “America great again”.  Hitler sabia que tinha chegado ao fim e que o seu fim político seria também o seu fim físico. Trump, longe disso, acredita que a sua luta verdadeiramente só agora começa, porque só agora será convincentemente uma luta contra o sistema. Enquanto muitos milhões de norte-americanos querem pensar que o conflito chegou ao fim, Trump e os seus seguidores desejam mostrar que agora é que vai começar – e continuará até que a América lhes seja devolvida. Joe Biden está, pois, equivocado quando, ao ver a vandalização do Congresso, afirma que isto não é os EUA. É, sim, porque os EUA é um país que não só nasceu de um acto violento (a chacina dos índios), como foi por via da violência que todo o seu progresso ocorreu, traduzido em vitórias de que o mundo tantas vezes se orgulhou, da própria união dos Estados “Unidos” (620.000 mortos na guerra civil) até à luminosa conquista dos direitos cívicos políticos por parte da população negra (inúmeros linchamentos, assassinatos de líderes, sendo Martin Luther King. Jr. o mais destacado entre eles), como ainda é o país onde muitos dos melhores líderes políticos eleitos foram assassinados, de Abraham Lincoln a John Kennedy. E essa violência tanto dominou a vida interna, como toda a sua política imperial, sobretudo depois da segunda Guerra Mundial. Que o digam os latino-americanos, o Vietname, os Balcãs, o Iraque, a Líbia, os palestinianos, etc. etc.

Joe Biden também está equivocado quando diz que o pesadelo chegou ao fim e que agora se vai retomar o caminho da normalidade democrática. Pelo contrário, Trump tem razão ao pensar que tudo está a começar agora. O problema é que ele, ao contrário do que pensa, não controla o que vai começar e, por isso, os próximos anos tanto lhe podem ser favoráveis, reconduzindo-o à Casa Branca, como podem ditar o seu fim, um triste fim. Enquanto sistema político e social, os EUA estão num momento de bifurcação, um momento, próprio dos sistemas muito afastados dos pontos de equilíbrio, em que quaisquer pequenas mudanças podem produzir desproporcionadas consequências. É, pois, mais difícil ainda do que o usual prever o que se vai passar. Identifico alguns três dos factores que podem causar mudanças num ou noutro sentido: desigualdade e fragmentação, primado do direito, Stacey Abrams.

Desigualdade e fragmentação. Desde a década de 1980, a desigualdade social tem vindo a aumentar, e tanto que os EUA são hoje o país mais desigual do mundo. A metade mais pobre da população tem hoje apenas 12% do rendimento nacional, enquanto o 1% mais rico tem 20% desse rendimento. Nos últimos quarenta anos o neoliberalismo ditou o empobrecimento dos trabalhadores norte-americanos e destruiu as classes médias. Num país sem serviço público de saúde e sem outras políticas sociais dignas do nome, uma em cada cinco crianças passa fome. Em 2017, um em cada dez jovens com idade entre os 18 e os 24 anos (3.5 milhões de pessoas) tinha passado nos últimos doze meses por um período sem lugar onde morar (homelessness).  Endoutrinados pela ideologia do “milagre americano” das oportunidades e vivendo num sistema político fechado que não permite imaginar alternativas ao statu quo, a política do ressentimento que a extrema-direita é exímia em explorar fez com que os norte-americanos vitimizados pelo sistema considerassem que a origem dos seus males estava noutros grupos ainda mais vitimizados que eles: negros, latinos ou imigrantes em geral.  Com a desigualdade social aumentou a discriminação étnico-racial. Os corpos racializados são considerados inferiores por natureza; se nos causam mal, não há que discutir com eles. Há que neutralizá-los, depositando-os em prisões ou matando-os. Os EUA têm a taxa de encarceramento mais alta do mundo (698 presos por 100.000 habitantes). Com menos de 5% da população mundial, os EUA têm 25% de população prisional.  A probabilidade de jovens negros serem condenados a penas de prisão é cinco vezes superior à de jovens brancos. Nestas condições, é de surpreender que o apelo ao anti-sistema seja atractivo? Note-se que há mais de 300 milícias armadas de extrema-direita espalhadas por todo o país, um número que cresceu depois da eleição de Obama.  Se nada for feito nos próximos quatro anos para alterar esta situação, Trump continuará a alimentar, e com boas razões, a sua obsessão de voltar à Casa Branca.

Primado do direito. Os EUA transformaram-se nos campeões mundiais da rule of law e da law and order. Durante muito tempo, em nenhum país se conhecia o nome dos juízes do Supremo Tribunal, excepto nos EUA. Os tribunais norte-americanos exerciam com razoável independência o papel de zelar pelo cumprimento da Constituição. Até que certos sectores das classes dominantes entenderam que os tribunais podiam ser postos mais activamente ao serviço dos seus interesses. Para isso, decidiram investir muito dinheiro na formação de magistrados e na eleição ou nomeação de juízes para os tribunais superiores. Esta mobilização política da justiça teve uma dimensão internacional quando, sobretudo depois da queda do Muro de Berlim, a CIA e o Departamento de Justiça passaram a investir fortemente na formação de magistrados e na mudança da lei processual (delação premiada) dos países sob a sua influência. Assim surgiu a Lawfare, guerra jurídica, de que a Operação Lava-Jato no Brasil é um exemplo paradigmático. Trump cometeu vários crimes federais e estaduais, entre eles, obstrução da justiça, lavagem de dinheiro, financiamento ilegal de campanha eleitoral e crimes eleitorais (o mais recente dos quais foi a tentativa de alterar fraudulentamente os resultados das eleições na Geórgia em Janeiro de 2021).  Funcionará o sistema penal como nos habituou no passado? Se assim for, Trump será condenado e muito provavelmente preso. Se assim acontecer, o seu fim político estará próximo. Caso contrário, Trump trabalhará a sua base, dentro ou fora do partido republicano, para regressar com estrondo em 2025.

Stacey Abrams. Esta ex-congressista negra é a grande responsável pela recente eleição dos dois senadores democratas no Estado da Geórgia, uma vitória decisiva para dar a maioria do Senado aos democratas e permitir assim que Biden não seja objecto de obstrução política permanente. Qual é o segredo desta mulher? Ao longo de dez anos procurou articular politicamente todas as minorias pobres da Geórgia – negras, latinas e asiáticas – um estado onde 57.8% da população é branca, um estado tido por racista e surpremacista, onde tradicionalmente ganham os conservadores. Durante anos, Abrams criou organizações para promover o registo eleitoral das minorias pobres alienados pelo fatalismo de ver ganhar sempre os mesmos opressores. Orientou o trabalho de base para incentivar a união entre os diferentes grupos sociais empobrecidos, tantas vezes separados pelos preconceitos étnico-raciais que alimentam o poder das classes dominantes. Ao fim de dez anos, e depois de uma carreira notável que podia ter atingido o auge com a nomeação para vice-presidente de Biden – no que foi preterida em favor de Kamala Harris, mais conservadora e próxima dos interesses das grandes empresas de informação e de comunicação de Silicon Vale – Abrams consegue uma vitória que pode liquidar a ambição de Trump de regressar ao poder.  No mesmo dia em que os vândalos partiam vidros e saqueavam o Capitólio, festejava-se na Geórgia este feito notável, uma demonstração pujante de que o trabalho político que pode garantir a sobrevivência das democracias liberais nestes tempos difíceis não pode estar limitado a votar de quatro em quatro anos, e nem sequer ao trabalho nas comissões parlamentares por parte dos eleitos. Exige trabalho de base nos locais inóspitos e muitas vezes perigosos onde vivem as populações empobrecidas, ofendidas e humilhadas que, quase sempre com boas razões, perderam o interesse e a esperança na democracia.  O trabalho de Stacey Abrams, multiplicado pelos movimentos Black Lives Matter, Black Voters Matter e tanto e tantos outros, muitos deles inspirados por Bernie Sanders e a “nossa revolução” por ele animada, podem vir a devolver à democracia norte-americana a dignidade e a vitalidade que Trump pôs em risco.  Se assim for, a melhor lição que os norte-americanos podem aprender é que o mito do “excepcionalismo americano” é isso mesmo, um mito. Os EUA são um país tão vulnerável como qualquer outro a aventuras autoritárias. A sua democracia é tão frágil quanto frágeis forem os mecanismos que podem impedir autocratas, antidemocratas de serem eleitos democraticamente.  A diferença entre eles e os ditadores é que, enquanto estes últimos começam por destruir a democracia para chegar ao poder, os primeiros usam a democracia para ser eleitos, mas depois recusam-se a governar democraticamente e abandonar democraticamente o poder. Da perspectiva da cidadania, a diferença não é muito grande.

Boaventura de Sousa Santos, Mídia Ninja, 7 de Janeiro de 2021

Trump apequena os Estados Unidos

Donald Trump foi eleito em 2016 com o slogan “Make America great again!”.

Perdedor por mais de 7 milhões de votos de diferença para o candidato Democrata Joe Biden, alegou uma dezena de falsas acusações de fraudes nas votações diretas nas urnas ou de votos enviados pelo correio (só do lado democrata).

Insistiu no último sábado em longo telefonema ao procurador eleitoral da Geórgia, com a sugestão de fraudar o resultado que julgava fraudado, mediante o lançamento de 11.870 votos pró republicanos, que anularia a vantagem de Biden.

Mesmo denunciado na imprensa, com a transcrição de sua vergonhosa gravação, insistiu até esta quarta-feira, 6 de janeiro, dia em que o Congresso reconheceria, formalmente, a eleição de Biden e da vice-presidente Kamala Haris, em sessão conjunta da Câmara e do Senado, sob o comando do vice-presidente Mike Pence, nas fraudes. Não reconhecidas pelas juntas dos 50 estados americanos e rejeitadas pela Suprema Corte, na qual os Republicanos têm maioria com a nomeação de três juízes por Donaldo Trump.

Para culminar com o festival digno de uma “república de bananas”, Trump mobilizou as tropas de choque dos orgulhosos supramacistas brancos a cercar e invadir o Capitólio, numa clara coação aos deputados e senadores.

Diante da passividade das tropas da Guarda Nacional, viu-se um festival de fascismo nas escadarias do Congresso, com depredação de vitrais, portas e invasão de gabinetes. Um desfile antidemocrático que assustou o chefe das forças aliadas da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Como a OTAN pode agir mundo afora em nome da Democracia se o presidente da principal nação do planeta é o primeiro a incentivar a violação das cláusulas e instituições democráticas, a começar pelo Congresso?

A fim e ao cabo, o presidente que prometia uma “Grande América”, apequenou os Estados Unidos da América.

Donald Trump tentou reescrever a história democrática americana.

Felizmente, falhou feio. Vergonhosamente.

Por ele, teria decretado que o Sul venceu a União na Guerra Civil.

Espera-se que o exemplo de cafajestada antidemocrática tenha criado antídotos por aqui.

Gilberto Menezes Côrtes, Jornal do Brasil, 6 de Janeiro de 2021

Carlos do Carmo

Mais um amigo que partiu. Amigo na amizade, na sintonia política nos momentos cruciais dos anos pós o 25 de ABRIL, na cumplicidade com a difusão da cultura portuguesa, mormente no FADO.
FADO que Carlos elevou ao mais alto patamar, culminando com o reconhecimento internacional na atribuição do título de PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE. Que honra Carlos conseguiu para Portugal!
Carlos do Carmo, habituado aos grandes palcos e aplaudido por entusiasmadas e grandiosas plateias, foi um importante Embaixador da democracia, tanto para as multidões, como junto das pequenas comunidades de portugueses espalhados em recantos longínquos do nosso país, que esperavam o fim dos espectáculos para uma conversa sobre a actualidade portuguesa, na qual Carlos sempre enaltecia o novo Portugal, muito diferente do que a maioria deles tinha deixado por incapacidade de assegurar o sustento da família, nos tempos sombrios da ditadura, que só agora eles podiam avaliar a dimensão.
Sempre com referências respeitosas a Amália, em cuja esteira ampliou de forma magnífica o início do reconhecimento internacional do FADO, ao velho símbolo Marceneiro e, claro, a sua mãe Lucília do Carmo, cuja categoria e exemplo não deixava de exaltar.
Amigo Carlos do Carmo vais agora soltar tua voz cristalina e embaladora para outros ouvintes em espaços imensos, que se vão deliciar como todos os que te apreciaram aqui, nesta TERRA, onde teus seguidores, entre os quais Mariza e Camané se encarregarão de te lembrar como o MESTRE.
Uma última nota sobre Judite, a companheira inseparável, especialmente nos momentos difíceis – e não foram poucos – que foi um exemplar modelo de como se complementa um artista de tua craveira.
São assim mais que justas todas a homenagens que estás recebendo, começando com o Decreto de LUTO NACIONAL, por tua partida.
ATÉ SEMPRE, CARLOS DO CARMO! 

Amândio Silva

Mensagem para 2021

Chegámos ao fim de um ano demolidor de projetos e objetivos não alcançados pelas circunstâncias impostas pelo COVID 19. que infelizmente podíamos referir como “de má memória”, porque ainda aí anda e não sabemos quando nos livramos dele e das suas nefastas consequências, inclusive que determinaram a não realização do “3º FÓRUM LIBERDADE E PENSAMENTO CRÍTICO”, interrompendo assim o ritmo anual desejado pela Organização e pela Câmara Municipal de Lisboa. Mas neste ano de 2021, tal não vai acontecer: a 10 de julho realizaremos no Liceu Camões o 3º FORUM LPC, em moldes similares aos dos anteriores, embora de estrutura menos pesada, com debates apenas de manhã e maior participação dos visitantes, nos eventos da tarde, realizados no Ginásio, nas exposições temáticas e nos momentos musicais. Culminará com o habitual espectáculo de encerramento no Auditório. Espera-se mais um êxito neste 3º Fórum, sempre com a inestimável colaboração da equipa da C. M. L.

Amândio Silva (Comissão Organizadora)

A hora do Grande Reset

Nem a Ciência pode nos salvar da barbárie ultraliberal. Sobreviver como espécie exigirá uma “reencarnação coletiva” no mundo pós-pandemia: novas formas de viver, pensar e organizar a Economia. É isso, ou nostalgia masoquista
Nunca imaginamos isso. Ninguém imaginou. E ainda parece um pesadelo do qual vamos acordar ao amanhecer. É claro que, algum dia, vai acabar. Quanto mais nos ajudarmos entre todos, mais cedo vai acabar. E isso inclui todos aqueles que tiram proveito da tragédia em prol de seus interesses. Deixemos de lado nossas diferenças, já já acertaremos as contas.

Nunca tínhamos enfrentado uma ameaça do tipo, nem sequer com a gripe de 1918, porque, hoje em dia, a globalização e a trama de economias, culturas e pessoas têm uma repercussão em tempo real para qualquer barbaridade cometida em qualquer canto do planeta, como aconteceu com os mercados de espécies selvagens. Humanos predadores, se protejam de vocês mesmos. Nem nossos extraordinários avanços científicos e tecnológicos conseguem nos salvar da nossa imensa estupidez. Por isso, se sobrevivermos, não voltaremos ao mesmo. E, se voltarmos, a pandemia vai retornar, a mesma ou outras, até que ocorra um reset daquilo que éramos.

Só existe futuro se pensarmos numa reencarnação coletiva da nossa espécie. Isso não tem nada a ver com o mofado debate ideológico entre capitalismo e socialismo, porque até o socialismo real e palpável também já teve sua vez. Falamos em mudança de paradigmas. E algo do tipo está acontecendo. Por exemplo, essa pandemia deve deixar claro que a saúde, incluindo a higiene pública e a saúde preventiva, é nossa infraestrutura de vida. E que não vamos poder viver apoiados de forma permanente no heroísmo de profissionais da saúde, que adoecem dia após dia por falta de equipamentos de proteção.

Teremos de investir, com prioridade, na saúde pública, porque a particular serve para aquele que serve — e, em situações de emergência, deve ser absorvida pela pública. Esse investimento é quantitativo e qualitativo, em termos de materiais, aparelhos hospitalares, atenção primária, educação à população, pesquisa, remuneração dos sanitaristas e formação de médicos, enfermeiros e profissionais da saúde, de modo geral, com faculdades e escolas melhor preparadas para acolher um grande leque de vocações para o serviço

Fica evidente, agora, para além do sistema de saúde, a necessária prioridade do setor público na organização da economia e da sociedade. E não se trata de estatizar, porque cada fórmula de defesa do interesse público deve se adaptar às características de cada sociedade. Da mesma forma que a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial exigiram romper com o fundamentalismo do mercado para proteger os direitos sociais e a vida, de modo geral, mas conservando o dinamismo do mercado para tudo o que é útil. Da mesma forma, torna-se necessário revitalizar o setor público e reformá-lo, livrando-o da burocracia e da politicagem.

Por exemplo, pudemos constatar a hipocrisia social e institucional no âmbito do respeito aos idosos, que são abandonados em situações extremamente precárias quando as famílias não conseguem mais tomar conta deles. Em parte, pela privatização das casas de repouso, o que demonstra que a lógica de ambição não combina com cuidados que são caros em funcionários e equipamentos. Mas, também, nas casas de repouso públicas, pois os cortes orçamentários e a negligência de muitas instituições acabaram abandonando nossos idosos à sua própria sorte, como vimos no altíssimo número de mortes registradas nesses autênticos campos de extermínio, durante a pandemia. Somente uma grande intervenção — não somente em gastos, mas em gestão — pode evitar que isso ocorra novamente.

A pergunta imediata é: como pagar. É evidente que com novos impostos e com um aumento da produtividade. Não temos outra opção. Mas isso não quer dizer mais impostos para as pessoas, e sim, obter recursos lá onde se concentra o 75% da riqueza mundial, isto é, dos mercados financeiros globais e as grandes multinacionais que evadem impostos legalmente, precisamente, graças à sua mobilidade fiscal e administração da papelada jurídica. Aplicando, também, o aumento da produtividade, que envolve recursos humanos, isto é, setor público; ciência (de novo, setor público); infraestrutura tecnológica (parcerias público-privadas); e a transformação empresarial por meio da aplicação de novos conhecimentos e tecnologia na gestão das empresas. Além disso, deve-se adentrar o complexo território da produtividade e eficiência do setor produtivo, desde a administração, até a educação.

Porém, o maior reset, é aquele que está acontecendo em nossas cabeças e vidas. É termos percebido a fragilidade de tudo o que acreditávamos garantido, da importância dos afetos, do recurso da solidariedade, da importância do abraço — e que ninguém vai nos tirar, porque mais vale morrer abraçados do que viver atemorizados. É sentir que o desperdício consumista no qual gastamos erroneamente nossos recursos não é necessário, pois não precisamos mais do que uns comes e bebes com os amigos na varanda. Sabiam que as escandalosas transferências multimilionárias do mundo do futebol acabaram? E não por isso os Messi do mundo vão parar de jogar, porque o futebol corre pelas veias deles.

O reset necessário é um portal para uma nova forma de vida, outra cultura, outra economia. É bom que o valorizemos, pois a alternativa a ele é a nostalgia masoquista de um mundo que se foi para não voltar. A vida segue, mas outra vida. Depende de nós torná-la maravilhosa.

Manuel Castells, sociólogo

2021 declarado Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil

A Assembleia Geral das Nações Unidas adotou por unanimidade uma resolução declarando 2021 como o Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil e pediu que a Organização Internacional do Trabalho, OIT, assuma a liderança em sua implementação.

A OIT tem trabalhado para a abolição do trabalho infantil ao longo dos seus 100 anos de história. A OIT tem trabalhado para a abolição do trabalho infantil ao longo dos seus 100 anos de história. , by Foto: Unicef/Frank Dejongh
Dados da OIT indicam que em 2016, 152 milhões de crianças com idades entre 5 e 17 anos estavam envolvidas em trabalho infantil, e quase metade delas, 73 milhões, em trabalho infantil perigoso.

Resolução
A resolução destaca os compromissos dos Estados-membros de “tomar medidas imediatas e efetivas para erradicar o trabalho forçado, acabar com a escravidão moderna e tráfico de pessoas e assegurar a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil, incluindo o recrutamento e uso de crianças-soldados.”

A meta de acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas até 2025 também é enfatizada na resolução.

Estimativas da OIT mostram que em 2016:
O trabalho infantil perigoso foi mais prevalente entre as crianças de 15 a 17 anos. No entanto, até um quarto de todo o trabalho infantil perigoso, 19 milhões, foi realizado por crianças menores de 12 anos;
Quase metade, 48%, das vítimas de trabalho infantil tinham entre 5 e 11 anos de idade; 28% tinham entre 12 e 14 anos; e 24% tinham entre 15 e 17 anos;
O trabalho infantil concentra-se principalmente na agricultura, com 71% dos casos. Outros 17% das ocorrências estão nos serviços e 12% no setor industrial, incluindo mineração;
A Assembleia Geral reconheceu a importância da Convenção sobre os Direitos da Criança, da Convenção sobre a Idade Mínima da OIT de 1973 e da Convenção sobre as Piores Formas de Trabalho Infantil de 1999, que está próxima da ratificação universal pelos 187 Estados-membros da OIT.

Agenda 2030
Também foi reconhecida a importância de “parcerias globais revitalizadas para garantir a implementação da Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável, incluindo a implementação das metas e objetivos relacionados à eliminação do trabalho infantil”.

A Argentina assumiu um papel de liderança na defesa desse compromisso global, como um seguimento da IV Conferência Global sobre a Erradicação do Trabalho Infantil, realizada em novembro de 2017 em Buenos Aires.

O representante da Argentina na ONU, Martin Garcia Moritán, disse que a expectativa é de que “este seja mais um passo para redobrar esforços e progresso para avançar dia após dia em direção a um mundo no qual nenhuma criança seja submetida a trabalho infantil ou exploração e um mundo onde o trabalho decente para todos seja uma realidade.”

OIT

A OIT tem trabalhado para a abolição do trabalho infantil ao longo dos seus 100 anos de história, e uma das primeiras Convenções que adotou foi sobre a Idade Mínima na Indústria.

De acordo com a agência, progressos substanciais foram alcançados nos últimos anos, em grande parte devido à intensa defesa e mobilização nacional apoiada por ações legislativas e práticas. Entre 2000 e 2016, houve uma redução de 38% no trabalho infantil globalmente.

O chefe do Departamento de Princípios Fundamentais e Direitos no Trabalho da OIT, Beate Andrees, destacou que “a luta contra o trabalho infantil ganhou um impulso extraordinário nas últimas duas décadas.” Ele destacou que, no entanto, “é óbvio que precisamos ampliar ainda mais a ação, e a decisão da Assembleia Geral de declarar 2021 o Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil será uma grande ajuda para concentrar a atenção nos milhões de meninas e meninos que ainda trabalham nos campos, minas e fábricas.”

Fonte: ONU News